Neocolonialismo digital: se o Brasil ficar de fora, a culpa vai ser nossa
23/09/2026

Resposta direta: Se o Brasil ficar de fora da corrida por inteligência artificial, dados, cripto e infraestrutura digital, a responsabilidade será nossa, por regular com medo do risco abstrato em vez do risco real.
Falamos muito em soberania e autonomia nacional. Mas quando a disputa concreta do século aparece na nossa frente, o Brasil costuma fazer o oposto do que deveria: regula mal, atrasa investimento, cria insegurança jurídica, trata inovação como problema moral em vez de estratégia.
Preciso ser direto aqui: se o Brasil virar só consumidor de IA estrangeira, usuário de stablecoin estrangeira, dependente de data center estrangeiro, comprador de modelo treinado fora, a culpa não vai ser dos Estados Unidos, da China ou das big techs. Vai ser nossa.
O mundo entrou numa corrida que não é mais por petróleo ou indústria. É por dado, IA, capacidade computacional, energia, infraestrutura digital, criptoativo, stablecoin e tokenização. Quem dominar essa camada domina parte relevante da economia e da política nas próximas décadas.
E o Brasil corre o risco de remar na direção contrária. Discutimos se data center consome energia demais enquanto outros países disputam onde instalar o próximo. Tratamos mineração de cripto como especulação enquanto outras jurisdições usam energia excedente pra atrair investimento. Isso não significa terra sem lei: é claro que IA traz risco, é claro que cripto precisa de regra contra lavagem de dinheiro. O ponto é que existe uma diferença enorme entre regular para desenvolver e regular para sufocar, e hoje estamos sufocando.
Um exemplo concreto: o Nordeste tem cabo submarino, energia renovável abundante e posição geográfica privilegiada para virar polo de data center. Em vez de tratar isso como problema ambiental, a pergunta certa seria: quanto valor o Brasil perde quando seu dado e sua IA rodam fora do país?
A regulação brasileira também precisa amadurecer. O Marco Legal da IA (PL 2338/2023) ainda tramita no Congresso, e o desenho final dele vai decidir se o Brasil consegue formar indústria nacional de IA ou se cria um regime tão pesado que só big tech estrangeira consegue cumprir.
O Brasil tem energia limpa, mercado relevante, sistema financeiro sofisticado, Pix, Open Finance, universidades e gente capaz de construir solução global. Potencial sobra. O que falta é decidir se vamos usar isso ou só alugar a infraestrutura dos outros.
Na sua área, você vê essa mesma escolha entre regular pra desenvolver ou regular pra sufocar?